Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Confiança

"Consegues anular todos os meus medos. Gostava de também conseguir derrotar os teus fantasmas."


Espiral

Dualitate

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Fim de férias

Sento-me, cansada, cheia de pó e coberta de feridas. Sei que tenho que limpar a minha espada. Porque há mais batalhas. que não esperam. Mas há feridas que doem quando paro. Outras que doem se me mexo. Respiro rapidamente, o ar sai-me mais depressa do que entra, engasgo-me e não consigo respirar. Tusso. Agarro-me à minha espada. Que está tão suja. Que fica tão enferrujada, da chuva, do sangue, que fica tão frágil , que quase parece que se parte.
Não sei quantas batalhas ganhei ou perdi. Só sei que estou cansada, mas de alma cheia. Oh, é tão díficil encher uma alma cheia. Sinto-me tão intrinsecamente triste. Tanto que a minha alma transborda. Tanto que a minha alma seca. Desordenadamente. Como ao carregar num botão. On. Off. On. Off. On. Off.
Penso que só preciso de um aceno. De um abraço. De um olhar. Mas isso é tão pouco. É um pouco que faz escorrer um pouco do meu coração. Escorre até encher um pouco daqueles recantos vazios. Escorrer até tapar um pouco das feridas. Que ardem. Das cicatrizes. Que não curam.
Vou limpar a espada. À minha volta todos o fazem. A minha não tem mais riscos que muitas. Não tem menos.
Seguro o meu cabelo sujo que cai juntamente com suor pelo meu pescoço. Há tanta gente perto de mim. Tantas respirações que pregam partidas. Tantos que sufocam. Tantos que sobrevivem. Tantos que vivem. Ouço alguns assobios. Há sempre quem sabe cantar. Eu estou aqui. Com um escudo quebrado. Mas ainda tenho a minha espada.

***

Tu. Escuta-me. Deixa-me encostar a ti por um momento. Perder-me na imensidão estanque do teu corpo. Inspirar profundamente o teu cheiro. Beijar-te de olhos bem fechados. E ficar assim até que as nossas mãos se entrelacem sozinhas.


Espiral

Dualitate

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Desabafo

Seguro o meu cabelo rapidamente para não se sujar. Desato a correr e só pararei quando não aguentar mais. Quando respirar for insuportável. Quando o sangue começar a cair. Fujo das palavras, das lamentações. Tapo a boca para não falar. Canso o corpo para não agir. Mas não consigo que o pensamento não se escape.
"Eu até digo que me esqueço. Eu até digo que passo ao lado. Tu no teu caminho. Eu no meu. Mas olho para os anos inúteis. O que teria acontecido se te tivesse visto?O que teria sido se tivesse ido? O que teria sentido...?"
Canso-me de me calar. De olhar em frente. De olhar para trás. Finco os olhos no meu presente. Tão cheio de tudos e de nadas. Vou crucificar as palavras que me consomem. Vou expulsar tudo o que foi quebrado. Vou correr.

Hoje perderei todas as minhas fraquezas. E mostrarei que as músicas que decoro são para contar as minhas histórias.

Espiral

Inspiração musical - o concerto de Jorge Palma de logo à noite...

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Estas pessoas não existem

"Junto a ti não me apetece fazer poesia. Só quando te aproximas e te afastas, tão rapidamente, tão rapidamente que quase não doí esta dor imensa, sinto que tenho que parar e escrever mil páginas. Mil páginas do que tenho maltratado em mim. Do que sozinha sufoco por não te ter. Do riso que quero compartilhar contigo. Das dores que quero desabafar contigo. Dos pormenores: Vês ali ao canto? Sou eu, encostando joelhos a um corpo que é meu e que não me pertence com os olhos cegos perdidos no regaço. Vês ali ao canto? És tu. Tu de costas. Tu a olhares para mim de costas."

"Só me apetece fotografar esse momento."

"Procuro-te naquilo que escreves. Em tudo o que escreves. Sei mais de ti porque te leio do que tu quando escreves o que não sabes se és tu. "

"A tua pele e a minha sempre se confundiram juntas ou sozinhas."

"Não somos iguais. Nem tão pouco parecidos. Eu quero voar. Tu queres partir. Eu quero envolvência. Tu queres emoção. Eu quero ser tua. Tu queres ser de toda a gente."


Espiral

Terça-feira, Junho 02, 2009

Quem são estas pessoas?

Ela balançou a cabeça negativamente e olhou o horizonte.
- Eu acredito que duas pessoas podem ser uma da outra para sempre. Mas não acho que seja fácil. Nem que aconteça a toda a gente. Nem que não haja testes, barreiras, dificuldades ou simplesmente, outras pessoas. Mas acho que essas pessoas têm que perceber quem são, e que elas valem a pena. Se não insistirem, claro que terá um fim.
Ele aproximou-se. Tem um medo enorme das expectativas dela. Da resolução dela. Mas sabe que o tom seco dela a dizer estas palavras só esconde vergonha e inseguranças.
- Vamos tentar juntos.

Espiral

Inspiração musical - Concerto de Rita Redshoes (29 de Maio de 2009)

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Sobras

Amor:
Diz-me o que sobrou para nós, depois de tantos suspiros consentidos. Diz-me o que sobrou depois de tantos anos passados, de rugas acumuladas, dos cabelos que branquearam. O que fazemos nós, amor, das relações que nos maltrataram, das peles que desejámos, dos rostos que cuidámos? Das recordações que nos desenham o quadro do que somos hoje. Do que amo em ti. E tu em mim. O que fazemos com aquelas canções que nos lembram outras gentes, outros olhares, outros toques. O que fazemos daquele local ali, onde ainda vivem os fantasmas de momentos felizes que tivemos. Diz-me amor, que terras, que músicas, que mundo fica para vivermos? Que sensações ainda não experimentámos? Que beijo ainda não conhecemos o sabor? Que sentir falta, para amarmos? Diz-me amor, onde guardo as feridas, onde guardo as juras e as promessas, onde guardo sorrisos e emoções? Diz-me, meu amor, tu, que com todas as certezas amo, o que faço com as minhas incertezas que foram certezas outrora? Diz-me, amor, o que sobrou para nós....

Dualitate

Espiral

Domingo, Abril 26, 2009

Resiliente

Um dia, que já não se encontra muito longe, chorarei por ti. Talvez também, nesse dia não muito longínquo pegue na guitarra que não sei tocar, e proferindo palavras breves e abafadas, rentes aos meus lábios como que a medo, tocarei algumas notas. Aquelas fáceis de relembrar. Olharei o céu, enquanto as minhas lágrimas marcam-me a cara e pensarei na música que não sei tocar, nas orações que não sei rezar, nas lutas em que não participei. Nesse dia perderei. Nesse dia ficarei de cabeça no chão. 

Hoje, pego nas partituras e junto-as arrumando dores, emoções, ingratidões e amores. Separo-as da tristeza que sinto e apago de repente, sem querer, mas sem arrependimentos, memórias da minha vida. Da minha vida, mas não do meu coração. Esqueço-me da tecnologia, da estática, dos trabalhos e do stresse acumulado. Falo com vozes que se alegram, rostos que amam, mãos que ganham, corpos que brincam.

Hoje, vou sorrir por mim, apesar da tristeza. Com certeza que pego na guitarra e dedilho estas letras simples. Com o desafio no olhar mais negro que carrego. Olho em frente e aperto os meus lábios secos. Canto desafinadamente uma canção qualquer, ou simplesmente as notas do que toco. Penso nas lutas que travo, nas canções que balbucio, nas músicas que aprenderei. Reajo e vou à luta. Não sei se ganharei, mas ninguém sabe.

Hoje, lembro-me mais uma vez, que um dia, não muita longe chorarei por ti. Mas esse dia ainda não chegou.

Espiral

Inspiração televisiva - "Lutaste, amaste e perdeste. Anda de cabeça erguida." (Anatomia de Grey)

Inspiração monográfica - "As minhas maiores vitórias e os meus mais profundos fracassos" (agradecimentos)

Inspiração digital - um disco externo estragado e um portátil que também parece que não quer trabalhar.


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